OS MINHOCÕES DE ITAQUI E DO JACUÍ:

O que seria da humanidade sem a imaginação aguçada?

Um assunto que atrai a atenção do povo curioso são as possíveis aparições de monstros assustadores nos nossos rios. Até os mais céticos pesquisadores aventuram-se a entrar nessa seara. Nós conhecemos algo sobre o famoso Minhocão do rio Uruguai, em Itaqui. Semana passada, adquiri a obra “O Minhocão do Jacuí e a lagoa encantada”, do escritor César Augusto Pierezan, da cidade de Espumoso, membro da Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul. Após a leitura, constatei haver semelhanças desse Minhocão do rio Jacuí com do rio Uruguai. Eles juram que é verdade!

Temos o relato, no nosso caso, no jornal A Ordem de 1905, descrevendo com minúcias o aparecimento de um monstro descomunal próximo ao porto de Itaqui. Em 1908, o Almanack Litterario e Estatístico do Rio Grande do Sul, edição 20, reproduzia o texto que um pouco antes, em 1906, um jornal do Paraná estampava. Em 1905, no início dos trabalhos de construção de uma muralha de pedra na beira do rio, teria aparecido um bicho enorme parecido com uma cobra. Nesse dia, os trabalhadores perceberam que a água fervia e enormes bolhas de ar vinham à tona. Após, advêm grandes ondulações num raio de poucos metros. Mais de quarenta pessoas estavam próximas da margem e avistaram o evento sinistro. No entardecer, surge sobre a água, uma cabeça semelhante a uma grande cobra, coberta de pelos enormes, quatro vezes maiores do que a de um cavalo. O corpo era mais grosso do que um touro. Media, conforme a régua dos olhares, mais de dez metros de comprimento. A cauda semelhante a de um cavalo. Formato de uma cobra gigantesca. O bicho deu um salto na água. Algumas pessoas passaram mal na hora.

Já o monstro relatado na obra recebida — O Minhocão do Jacuí, tem semelhanças com o nosso. Destaco algumas passagens da obra: “Nunca sai da água. Tem 12 metros de comprimento e 1,20 de largura. A sua cor é preto-acinzentada. Sua cabeça é igual a de um cavalo. Porém, sem orelha. (…) Ele foi visto durante a construção da barragem do Passo Real. Porém, imergiu nas águas. (p.22)” As dimensões se aproximam ao monstro do rio Uruguai, da mesma forma que foi avistado durante a realização de uma obra pública. E mais: “O tamanho da cobra tem a ver com o tamanho do susto de cada pescador. (p.23)” Observemos os dados do jornal A Ordem, de Itaqui — são exagerados e horripilantes! Já o autor citado destaca que o bicho tinha: “…olhos saltados, cor de fogo, dentes salientes e afiados, sedento por vingar-se. Era o zoom da cobra, aumentado em cem vezes. (p.27)” Essa narrativa aproxima-se das referências aos “dragões do mar”, seres mitológicos citados há milhares de anos.

No Minhocão do Jacuí há alusão a “…uma enorme ilha com uma caverna, chamada de Poço do Pancudo. (p.27)” que teria ligação com o monstro e era habitada por um monge. Já em Itaqui, corre a mística de que o Minhocão tem sua toca sob o cais de pedra do rio Uruguai, correndo a lenda de um subterrâneo que sairia do porto e terminaria embaixo da torre da igreja matriz.

Tanto lá como aqui, tem muita gente que jura ter visto. E duvidem pra ver!

Fonte: Espaço História, escrito pelo Prof. Paulo Santos na edição de hoje, sexta-feira (5/6), no jornal Nossa Época

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